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Berço d'água

2025-2026

Cabeceiras do berço do filho da artista, bordados em tecidos diversos, objetos ornamentais, taças, santinhos, fotografias antigas, puxadores de gavetas, partes de luminárias, partes diversas de objetos cerâmicos, azulejos, miçangas, conchas, pedras, terra e rejunte cerâmico.

181 x 160 x 22,5 cm

A obra é construída a partir das duas cabeceiras que pertenciam ao berço do filho da artista, estruturando-se entre céu, vida, terra e água. De um lado, a cena desenhada, entre milhares de fragmentos de azulejos, representa o mar e a praia, fazendo referência à sua cidade natal, Angra dos Reis. Do outro, surge a mata, evocando a região do interior do Rio de Janeiro onde ficava a fazenda de seus avós. Esses dois lugares são fundamentais em sua formação — foram seu berço, seu ponto de origem.

As águas, simbolizadas por correntes de miçangas, conectam os dois lados e escorrem até o chão. As cabeceiras do berço não tocam o solo; elas flutuam, como se estivessem suspensas no tempo, em um estado de sonho quase delirante. Fragmentos de memórias reais se misturam a seres míticos, criando cenas fantásticas, como em um sonho. A obra se configura como uma espécie de altar, no qual a artista celebra os lugares onde cresceu, o início de sua própria vida e sua continuidade no nascimento do filho — uma presença que parece impregnada nas entranhas do berço que ele utilizou. Nesse sentido, o trabalho também evoca a origem da vida, que nasce nas águas, que é fluxo constante, lembrando que tudo está em permanente movimento e transformação.

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