Natureza Viva: Bodas de ouro
2025

Recortes de papel retirado da revista Linhas & Pontos, nº 24 — março de 1999, lápis de cor e acrílica sobre papel Hahnemuhle 300 g/m²
80 x 65 cm
O desenho apresenta um vaso com flores colhidas pela artista durante sua residência na Oak Spring Garden Foundation, período em que ela se dedicou a observar o processo de morte das plantas. A partir da imagem de um arranjo em declínio, a artista fabula uma cena em que insetos, vermes e raízes se espalham pelo papel, entrelaçando vida e decomposição. A obra propõe uma reflexão sobre a morte não como fim, mas como estado fértil — matéria viva que dá origem a novas formas de existência.
O vaso de flores, símbolo de celebração e também de oferenda, pode ser lido como o presente de uma boda de ouro — um gesto de comemoração de uma união longa, marcada pelo tempo. Aqui, esse presente se transforma: o buquê que antes representava o amor e a permanência passa a revelar o envelhecimento, a fragilidade e a transformação inevitável.
O título Natureza Viva: Bodas de Ouro evoca o tempo e suas marcas. Essa “natureza morta” revela, paradoxalmente, uma vitalidade que se renova com o passar dos anos. As bodas de ouro remetem à celebração de uma união duradoura — tradicional, antiga — que, com o tempo, se fratura, craquela, murcha e envelhece, mas também dá origem a outras vidas: algumas belas, como as borboletas, outras incômodas, como os vermes.